Amo cinema.
Quando a sala vai ficando mais e mais escura, eu agradeço a Deus por termos a competencia intelectual de criar coisas tão magníficas. Já estive em seções em que eu me perdi no espaço tã envolvida que estava na comedia romantica, de repente me peguei agradecendo por ter esquecido por vários minutos a cidade em que eu estava. Já hove épocas em que eu valorava meu salário em seções de cinema, quanto mais seções meu dinheiro pudesse pagar, mais bem remunerada eu estava sendo. Aliás, dessa época o que eu mais lembro é de sair da seção vespertina e vislumbras a Praça da Liberdade verdemente ensolarada. Ou como me marcou ver essa mesma praça num tom de azul acinzentado, com árvores secas de outono, para uma seção ao ar livre de filme conceitual japonês.
Estou pensando até que criei esse blog na esperança de ter alguem pra me escutar...pra eu não me esquecer da cor da minha propria voz...
Mas agora acabei de sair de mais uma simples seção. Um filme em que as pessoas simplesmente não tiveram forças para se levantar das poltronas mesmo após os creditos finais passarem. E que créditos poéticos: mostrando a transição entre o negro e o branco, e mostrando a ambivalencia do carater de toda e qualquer pessoa, que nunca é totalmente má ou totalmente boa. Cliche, eu sei. Mas a pena negra que aparece no todo branco e a pena branca que aparece no todo preto são totalmente poéticas, sem contar que por si só o Lago dos Cisnes é mais que um classico, e há que ser respeitado. Nem vou falar nada da atuação da Portman, e não discorrerei sobre minhas opiniões pessoais sobre o Oscar, mas que ela teve o reconhecimento merecido, ah isso teve. Me lembra de um comentário que uma amiga minha postou no face: "tão boa que em alguns momentos chega a me dar medo". Pois esse comentário foi um dos motivadores que me levaram a essa seção porque, não sei de onde eu tirei a ideia, mas eu imaginava esse filme mais como uma videogravação de uma apresentação de balé. Mais uma vez fica provado como devemos nos libertar dos pre-conceitos.
De qualquer forma, idependente do filme (e independente mesmo, pq no cinema eu gosto até de filme ruim...rsrs) a arte de agrupaento e montagem de imagens é a poesia que mais me toca. Meu ouvido não é muito bom pra reconhecer musicas, eu não guardo muito nomes de bons autores (muito menos dos maus...), não tenho ritmo suficiente para dançar, mas uma imagem às vezes é capaz de me tirar do tempo e espaço. Um dia ainda vou postar algumas fotos que eu ja tirei. Não sou nenhuma artista, mas sei reconhecer quando uma coisa é bela e vale a pena ser registrada. Às vezes tenho a sensação de que minha cabeça é um album de fotografias de locais, coisas e situações mágicas. E olha que esse mundo é realmente cheio dessa magia.
Eu nem queria escrever tanto, nem devia ter tido o trabalho de ligar o note a essa hora, mas não resisti à tentação de falar, ou pelo menos tentar, dessa minha emoção. Toda vez que saio do cinema é a mesma coisa: parece que meus pés flutuam, minha alma me iça do chão pq ela está inflada, cheia de uma poesia emprestada da sensibilidade de outros... Nesses momentos meus sentidos ficam mais apurados e eu fico vibrante. Tá aí, o melhor programa que existe, para se fazer só ou acompanhada.
Beijos e boa noite.
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